
Endossulfan, Metamidofós, Fosmete, Tiran, Triclorfom, Parationa Metílica, Carbofurano, Forato, Paraquate, Acetato… Talvez você nunca tenha ouvido falar em nenhuma dessas substâncias, mas todas elas são amplamente empregadas em plantações de tomate ou batata e há décadas estão proibidas na Europa, Estados Unidos e diversos outros países, mas continuam sendo usadas livremente nas hortas e lavouras do Brasil, apesar do potencial mortífero.
Segundo dados do Sindicato Nacional para Produtos de Defesa Agrícola (Sindage) o país já ultrapassou a marca dos 700 milhões de litros de agrotóxicos legalmente comercializados a cada ano. O valor total do uso de agrotóxicos distribuídos por habitante equivale ao consumo de 4 kg de agrotóxicos por pessoa ao dia.
Que tal uma bela salada de tomates recheados à moda mexicana? Ou talvez uma deliciosa sobremesa de morangos da vovó? Quem sabe umas folhas de alface para a pele do bebê? Cuidado…
Análises feitas pela própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 2007 mostraram que 40% do tomate, morango e alface vendidos nos supermercados brasileiros estavam com dosagens de agrotóxicos acima do limite considerado seguro.
É necessário que se implante com urgência uma campanha educativa que dê detalhes para as pessoas sobre o nível de agrotóxicos impregnado nos alimentos. É o mínimo que o governo federal pode fazer para garantir o bem estar da população e do meio ambiente em geral.
Retrocesso, perversidade e incongruência
Em 2008, acatando ação movida pelo sindicato das indústrias de defensivos agrícolas (Sindag), a Justiça brasileira proibiu a Anvisa de prosseguir os estudos que verificavam a segurança de ingredientes ativos em 99 marcas de agrotóxicos usados no país. A decisão, do juiz Waldemar Claudio de Carvalho, da 13ª Vara Federal do Distrito Federal, representa um retrocesso para o país e uma perversidade para com as pessoas. O que deveria ser um caso para a Polícia Federal, transforma-se-se em batalha judicial na República da adulteração generalizada. Se a ciência descobre que determinadas substâncias são nocivas à saúde - seja de quem as consome, seja de quem trabalha diretamente com elas - é uma incongruência reavaliá-las por força de uma liminar.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) é um celeiro de pesquisa de ponta e produção de orgânicos, com sementes adaptadas a variados tipos de clima e bioinseticidas que não requerem o uso indiscriminado de venenos nas lavouras. Algumas indústrias brasileiras chegam a exportar esses bioinseticidas, mas o agronegócio, comandado pelo modelo perverso das trasnsnacionais, nunca incentivou ou se interessou pelo uso de produtos alternativos, seguros, baratos e eficazes.
Que o governo é ineficiente e relapso, não há nenhuma novidade, mas há também o lobby, a pressão e o poder econômico dos grandes monocultures e principalmente da já citada indústria multinacional de venenos agrícolas, com sua maldita cadeia de distribuição de herbicidas, fungicidas, pesticidas, formicidas e todas essas “cidas” que alimentam o agronegócio, adoecem a plebe, agridem o planeta e se sobrepõem aos interesses coletivos.
Saudações Verdes!
ADOLPHO FUÍCA
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