22 de novembro de 2011

Segundo Aneel, queixas contra a CEB já cresceram 8,66% em relação a 2010





Benedito recebe até 20 orçamentos por mês para conserto de equipamentos queimados em razão de apagões (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Benedito recebe até 20 orçamentos por mês para conserto de equipamentos queimados em razão de apagões

As constantes interrupções de fornecimento de energia elétrica pela Companhia Energética de Brasília (CEB) têm causado prejuízos e transtornos para a população do Distrito Federal. Por conta desse problema, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recebeu, nos 10 primeiros meses deste ano, 4.646 reclamações, ou seja, 464 registros por mês. O número subiu 8,66% em relação à média do ano passado, quando foram constatados 5.130 casos de falta de luz, com 427 ocorrências mensais.

Dados obtidos pelo
Correio mostram ainda a insatisfação geral dos usuários com os serviços da CEB. Atendimento precário, baixa qualidade dos trabalhos técnicos e cobrança indevida estão entre os principais problemas citados nas 782 queixas recebidas pela companhia em 2011 — contra 832 de todo o ano passado. A média mensal aumentou 13%, agravando-se a partir da greve dos funcionários.

A insatisfação faz parte do vocabulário do empresário Michiu Izawa, dono de um centro automotivo em Vicente Pires. Desde 2008, ele teve quatro compressores queimados por interrupções na energia. “O motor é trifásico. Se faltar uma fase, ele queima”, explicou. Nos últimos anos, Izawa calcula ter gastado mais de R$ 1 mil no conserto da máquina. A última vez que levou o compressor para uma oficina autorizada foi em maio e os valores cobrados giram em torno de R$ 250 a R$ 300.

Os prejuízos do empresário são resultado da falta de investimento da CEB na rede elétrica durante sucessivos governos. Picos de energia e apagões são cada vez mais recorrentes na capital federal, escolhida para sediar jogos da Copa do Mundo em 2014, entre outros eventos internacionais. A dívida da companhia relacionada a multas é de R$ 2.853.437,07, ainda não pagos à Aneel. Em 2010, a companhia também foi multada em R$ 3.359.342,32 por descumprir os indicadores de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC). Eles medem o intervalo de tempo das paralisações no fornecimento e o número de vezes que faltou energia.

Manutenção
É da precariedade no fornecimento de luz no DF que o técnico em eletrônica Benedito Borges Silva, 60 anos, tira parte do sustento da família há seis anos. A loja dele, em Vicente Pires, chega a receber entre 15 e 20 pedidos de orçamento para conserto de televisores, geladeiras, computadores, fornos, máquinas de lavar e outros equipamentos queimados em razão dos apagões. Na última sexta-feira ele faturou R$ 400 apenas com um cliente que teve três eletrodomésticos queimados. “A luz aqui é fraca demais. A voltagem, que era para ser de 220 volts, aqui fica em 190 volts. É só chover que queima tudo”, contou.

No último domingo, as mais de três mil pessoas que visitaram a 30ª Feira do Livro ficaram às escuras. Segundo a diretora executiva do evento, Lêda Simone Costa, o pavilhão de exposição no Parque da Cidade ficou cerca de uma hora e meia sem luz. “A nossa preocupação foi com a segurança dos frequentadores e com os expositores, mas graças a Deus não houve pânico e o público se distraiu com algumas apresentações teatrais durante a falta de energia”, contou. Para a curadora do evento, Iris Borges, o problema gerou impactos negativos. “Muitas pessoas foram embora. O último dia (do evento) poderia ter sido um recorde de público e vendas”, reclamou. Só no domingo, a CEB recebeu mais de mil reclamações.

Modernização
A melhoria na oferta de energia elétrica só será sentida pelo consumidor em meados de junho do próximo ano, com o término da ampliação e construção de subestações e linhas de transmissão e a troca de cabos antigos por outros mais modernos. Este ano, a previsão de investimentos até dezembro é de R$ 98 milhões. Até junho, outros R$ 90 milhões serão gastos na melhoria do sistema e, até o fim do governo, em 2014, os recursos aplicados no setor devem totalizar R$ 543 milhões.

Fonte: CB

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