18 de julho de 2011

MOBILIDADE URBANA: um pedal com David Byrne

Ex-vocalista da banda Talking Heads mostra intimidade com a bicicleta durante evento em SP

Depois de participar da FLIP, O Festival Literário de Paraty, onde promoveu o seu livro 'Diário de Bicicleta", David Byrne, criador e vocalista da extinta banda "Talking Heads" , passou por São Paulo onde promoveu e participou do Fórum: Cidades, Bicicletas e o Futuro da Mobilidade.

O livro de Byrne é agradável. O autor relata sua experiência de observar as relações entre as pessoas em diversas cidades do mundo, segundo a ótica de quem pedala. Ele foca o ser humano e a arquitetura das cidades.

Sua visão intuitiva é simples.

Ele descreve com clareza o comportamento viciado das sociedades que constroem espaços urbanos totalmente vazios de pessoas para dar espaço a circulação de carros.

Byrne é mais um exemplo de que, somente quem pedala e caminha pelas cidades consegue entender esse problema na pele e criticá-lo, usando argumentos que desmontam os dogmas instituidos e aceitos sem nenhum filtro pelos carrocratas.

Aqueles que estão presos em seus carros não conseguem dar esse passo. Byrne amplia a forma de abordar o tema de um ponto de vista simples e humano.

Perguntei a ele quando a bicicleta lhe deu esse “clique”, a chave para compreender as cidades do mundo e ele situou: “Foi em 2006, pedalando em Nova Iorque. Se podemos pedalar na boa por lá, por que não o resto do mundo?”

Escocês, mudou-se para os Estados Unidos e mora em Nova Iorque desde os anos 70. Assistiu o auge da deteriorização da cidade, a violência urbana, o assassinato de Lennon em 1980 e a política de “tolerância zero” instituida pelo prefeito Rudolph “Rudy” Giuliani a partir de 1990.

Em poucos anos Rudy Giuliani baixou em 58% os crimes da cidade e em 65% os latrocínios, com isso os cidadãos voltaram a usar o transporte público, mas é preciso lembrar que desde sempre a elite novaiorquina divide metrô e ônibus numa boa com a classe trabalhadora.

Em 1989 pedalei pela primeira vez em Nova Iorque. A cidade na época vivia um medo generalizado de assaltos, era tida como avessa a ciclistas, mas eu, oriunda de São Paulo senti-me em casa.

Uma ciclista paulistana calejada não se intimida com a violência, evita encrenca e surfa na boa entre carros e táxis a te expremer na guia. O diferencial é que os motoristas americanos não saem impunes quando atropelam.

A “tolerância zero” resgatou a auto estima do novaiorquino e aumentou sensivelmente a quantidade de turistas na cidade. Sem falar que Nova Iorque sempre foi uma cidade de muitas bicicletas, dominada por bike messengers, aqueles que reinventaram as bikes fixas.

De 2000 para cá a cidade ganhou 400 km de ciclovias. Sem falar em novos parques como o High Line Park. Em 2006, ano do “clique” de Byrne, Nova Iorque acabava de ganhar uma ciclovia que circundava a Ilha de Manhattan, a ciclofaixa da Quinta Avenida ao mesmo tempo que coibia (e ainda coibe) as manifestações da Critical Mass.

Pudemos acompanhar David Byrne em um pedal de uns 8 km entre o Hotel Unique e o Sesc Pinheiros, com algumas voltinhas pela Vila Madalena. Byrne pedala de verdade, surfa entre carros, não se intimida com as “finas educativas” de “mautoristas” e sobe ladeiras, sem perder o fôlego.

O Sesc Pinheiros lotou. 700 pessoas sentadas e umas 150 bicicletas estacionadas do lado de fora.

O Fórum teve as participações de David Byrne, Arturo Alcorta do www.escoladebicicleta.com.br , Eduardo Vasconscellos e Marcelo Branco atual Secretário dos Transportes, diretor da CET e da SPTrans e mediação de Paulina Chamorro da Estadão ESPN.

David abriu com uma palestra que ilustrou com fotos a arquitetura e a loucura em que as sociedades viciadas em carros se transformou. Um resumo muito curto e superficial de seu livro. Mas deixou esperanças aos ciclistas paulistanos, descreveu nossa cidade como ciclável e com gente nas ruas.

Alcorta apontou a falta de participação do brasileiro nas questões de cidadania e os perigos de nossa bipolaridade, a não existência intermediária entre “o contra ou o favor”.

Vasconscellos mostrou a falta de equidade nas cidades do Brasil, a desigualdade na política pública, foi aplaudido quando pediu a urgente redução da velocidade dos veículos nas ruas e cravou os pés de todos ao chão, quando nos lembrou que em Brasília, na mais alta classe política do país, aquela que decide os nosso rumos, a mobilidade em bicicleta está totalmente fora dos planos.

Marcelo Branco repetiu a frase guia dos cicloativista “compartilhar as ruas”. Afirmou que a CET que ele dirige é mesmo voltada apenas aos veículos e não ao cidadão, a dificuldade de se mudar aquilo que ele chama de “cultura” e eu de preconceito. O Secretário dos Transportes de SP finalizou com a exposição da Ciclorrota do bairro do Brooklin que será inaugurada na próxima semana como uma grande vitória de sua gestão.

De fato a Ciclorrota é uma quebra de paradigma, pois trata-se da primeira sinalização da Cidade de São Paulo que inclui a bicicleta nas ruas, a circulação é compartilhada com os automóveis e a velocidade está limitada a 30 km/h.

Já pedalei na Ciclorrota do Brooklin, aprovei, veja o vídeo: Sinalizar a presença de ciclistas nas ruas é mais uma das obrigações da Secretaria de Transportes, artigos 21 e 14 do CTB.

http://www.youtube.com/watch?v=8C4Vkn-OjFk&feature=share

15 de julho de 2011

Mobilidade Urbana: Que vergonha, GDF!

Cicloativistas brasilienses em passeio noturno

O Governo do Distrito Federal (GDF) - de forma debochada, irresponsável e explicitando todo o seu despreparo, - tem anunciado a cada dia incentivos ao cidadão para a compra de veículos automotores. IPVA Zero, estacionamentos subterrâneos na Esplanada e outras vergonhosas políticas públicas que vão direto contra os direitos básicos do próprio cidadão e contra o bom senso no que se refere ao tema MOBILIDADE URBANA.

Yurie Baptista, Renato Zerbinato, Uirá, Pedro Macdowell, Poney, Bruno Aragão e muitos outros cicloativistas têm feito um brilhante trabalho em Brasília por meio de entidades como a Sociedade das Bicicletas, Rodas da Paz e BicicletadaDF.

Palestras têm sido realizadas na UnB com o intuito de debater a questão da mobilidade urbana no Distrito Federal e temas como a falta de espaços adequados para o ciclista. Parabéns a essa turma e vamos todos juntos implementar outro modelo de mobilidade urbana em nossa cidade, que atenda também aos milhares e sofridos usuários do transporte público.

Um abraço do Adolpho Fuíca

14 de julho de 2011

GDF anuncia estacionamento subterrâneo na Esplanada dos Ministérios ... Enquanto isso, em Copenhagen...

GDF anuncia estacionamento subterrâneo na Esplanada dos Ministérios

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/07/13/interna_cidadesdf,261083/gdf-anuncia-estacionamento-subterraneo-na-esplanada-dos-ministerios.shtml

"O governador ressaltou que até setembro pretende lançar o edital para começar o processo de construção do estacionamento que contaria também com comércios específicos. O objetivo, segundo ele, é integrar todos os ministérios da Esplanada e o Congresso nesse local e usar transportes públicos para facilitar o trânsito."

Que p# querem dizer com isso? Que eu saiba, melhoria no serviço de transporte público não tem a menor relação com criar estacionamentos. Ônibus novos, ciclovias, respeito ao contribuinte... isso nada, não é, Sr. Agnelo? E as mortes no trânsito? Será que Brasília precisa realmente de políticas públicas que incentivem mais e mais a indústria automobilística?

Enquanto isso, num reino distante, numa cidade chamada Copenhaguen, o ambiente e as pessoas são respeitados. como você vê na foto abaixo:



Um abraço do Adolpho Fuíca

13 de julho de 2011

GDF apresenta projeto de IPVA Zero para atrair compradores de carro novo

Implementação definitiva do sistema cicloviário no Distrito Federal? Não. Brasília continua na contramão do que existe de mais moderno em termos de mobilidade urbana no mundo. E o GDF continua, descaradamente, fazendo uma política de apoio ao aumento do número de veículos que circulam na cidade. Leiam esta matéria do Correio Braziliense:


GDF apresenta projeto de IPVA Zero para atrair compradores de carro novo


Publicação: 12/07/2011

O projeto que livra o comprador de pagar o IPVA do automóvel durante o primeiro ano de emplacamento foi apresentado na tarde desta terça-feira (12/7) pelo governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O IPVA Zero funciona como um incentivo para aumentar as compras de carros zero no setor local. O projeto será encaminhado à Câmara Legislativa do DF e, se aprovado, valerá como lei a partir de janeiro de 2012.

Segundo a assessoria do Governo do Distrito Federal, a ideia não é aumentar o a quantidade de veículos que circulam no DF, mas garantir que o ICMS e IPVA façam parte da arrecadação local no lugar de serem pagos em outros estados, como vem acontecendo. A assessoria ainda diz que, segundo análise feita pelo sindicato do setor, 7% dos carros utilizados dentro da cidade foram emplacados fora.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Autorizados do Distrito Federal (Sincodiv/DF), Alessandro Soldi, a expectativa é que o seguimento do DF passe a ser mais competitivo. “Temos trabalhado muito tempo junto ao GDF para alcançar uma paridade com os estados vizinhos como o Goiás, que já tem esse emplacamento há mais de 10 anos”, contou.

O setor reclamava a queda nas vendas em detrimento da média nacional. Segundo o diretor do sindicato, os moradores de Brasília iam para outros estados, que já ofereciam a isenção, a fim de fazer um negócio melhor. “As pessoas deixam de comprar aqui pra comprar fora. Só em 2010 houve uma perda de 30% do mercado na capital, em cima de um carro de veículos acima de R$ 65 mil, enquanto o Brasil crescia cerca de 25%”, analisou.

A queda nas vendas de automóveis nos últimos quatro anos é a principal razão para terem concebido o projeto. O diretor disse que, mesmo tendo alto poder aquisitivo, Brasília crescia menos que a média do mercado nacional. “Por exemplo, a perda do emplacamento de um carro de R$ 125 mil, somados ICMS e IPVA representa um montante de R$ 20 mil reais durante quatro anos”, explicou.




12 de julho de 2011

Um terço da comida do mundo vai para o lixo

Só no Brasil 39 milhões de quilos de comida vão para o lixo todos os dias


Estima-se que 925 milhões de pessoas passem fome ao redor do globo. Ainda assim, um terço de toda a comida produzida no mundo se perde ou é desperdiçada a cada ano – o equivalente a 1,3 bilhões de toneladas. É o que mostra um estudo da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) da ONU, divulgado no último dia 11.

De acordo com o relatório da FAO, a quantidade de alimentos perdidos é praticamente igual nos países ricos e nos em desenvolvimento. O que muda é o padrão do desperdício. Nas nações mais pobres as perdas decorrem basicamente da infraestrutura deficiente e dos baixos níveis de tecnologia para colheita, processamento e distribuição dos produtos.

Já nos países ricos o principal problema é que muitos alimentos em perfeito estado são jogados no lixo pelas redes varejistas e consumidores. Anualmente, a população desses países joga fora quase tanta comida (222 milhões de toneladas) quanto a que é produzida em toda a África subsaariana (230 milhões de toneladas). Só no Brasil, 39 milhões de quilos de comida vão para o lixo todos os dias – quantidade suficiente para alimentar 19 milhões de bocas diariamente, segundo a Organização Não Governamental (ONG) Banco de Alimentos. Isso equivale a população da grande São Paulo.

Além de representar grande contradição em relação ao grave problema da fome no mundo, o desperdício de alimentos aumenta o gasto de recursos – como água, terras, energia e trabalho –, utilizados na sua produção. Uma pesquisa recente do Reino Unido mostra que, por ano, a quantidade de água despendida no cultivo de alimentos que nem chegam a ser consumidos é duas vezes maior que a utilizada para lavar e beber, por exemplo.

Faça a sua parte

Reduzir o desperdício de comida é fundamental. Para diminuir as perdas ao longo da cadeia de produção de alimentos, o relatório sugere que se invista em novas técnicas de colheita, melhoria das condições de armazenamento e na educação dos agricultores.

Também cabe aos consumidores dar a sua contribuição. Uma casa brasileira joga fora, em média, 20% dos alimentos que compra semanalmente, como apontou um levantamento do Instituto Akatu em 2004. Veja, a seguir, algumas dicas para evitar tantas sobras:

  • Faça a tradicional listinha dos itens em falta antes de ir ao supermercado;
  • Compre somente a quantidade de comida e bebida que estima que será realmente consumida;
  • Não se deixe seduzir por promoções do tipo “leve 3 pague 2”;
  • Na feira, prefira legumes com um pouco de terra, pois duram mais. Só os lave na hora do preparo;
  • Aproveite os alimentos integralmente: talos de couve, beterraba, brócolis e salsa, por exemplo, contêm muitas fibras e podem ser consumidos refogados, no feijão ou em sopas. Folhas de cenoura são ricas em vitamina A e podem ser aproveitadas para fazer bolinhos, sopas ou mesmo em saladas. Fonte: O Eco

8 de julho de 2011

Confira o discurso de Marina Silva durante o anúncio de desfiliação do PV


Confira a íntegra do discurso da ex-senadora Marina Silva durante o anúncio de sua desfiliação do PV, na tarde desta quinta-feira (7/7), em evento em São Paulo.

É hora de agir pelos nossos sonhos

“Chegou a hora de acreditar que vale a pena, juntos, criarmos um grande movimento para que o Brasil vá além e coloque em prática tudo aquilo que a sociedade aprendeu nas últimas décadas”. Assim começava o convite para a grande aliança que, em 2010, propusemos à sociedade brasileira. E continuava dizendo que chegou a hora dos que querem viver num país melhor, reinventar o seu futuro no século 21. Que podemos alcançar a democracia que queremos. Que a distância entre o que somos e o que podemos ser não é tão longa se nos dispusermos a começar a caminhada. Estamos aqui hoje para reafirmar que esta continua sendo a nossa palavra, que vale o que está escrito. Está nesta palavra dada a principal razão pela qual eu mesma e tantos companheiros estamos nos afastando do Partido Verde. Para manter nossa coerência e seguir em frente, em união com aqueles que, embora não se desligando do partido por diversas razões, permanecerão críticos e em consonância com o mesmo pensamento. A experiência no PV serviu para sentir até que ponto o sistema político brasileiro está empedernido e sem capacidade de abrir-se para sua própria renovação. Se antes dissemos “chegou a hora de acreditar”, afirmo hoje: chegou a hora de ser e fazer, de nos movimentarmos em conexão com as redes e pessoas que expressam a chegada do futuro e o constroem na prática, no dia-a-dia. A proposta de desenvolvimento sustentável é inseparável de uma política sustentável. Não podemos falar das conquistas de nosso país separando–as da baixa credibilidade do sistema político, dos desvios éticos tornados corriqueiros, da perplexidade da população diante da transformação dos partidos em máquinas obcecadas pelo poder em si e cada vez mais distantes do mandato de serviço que estão obrigados a prestar à população. A ideia de desenvolvimento não pode estar desvinculada da existência de um sistema político democrático consolidado, tanto na sua face representativa quanto na sua imprescindível dimensão participativa direta. O resultado mais grave da perversão do sistema político é o afastamento das pessoas da Política com P maiúsculo, pela qual cada um pode ser parte das decisões públicas por meio de suas opiniões, sua palavra, suas propostas, seu voto bem informado e consciente. Quando a representação gerada por esse voto não expressa integralmente o compromisso de se dedicar ao bem comum, a democracia sai trincada, e essa ameaça afeta a todos nós e nosso direito a viver melhor, com mais justiça, mais qualidade de vida, com horizontes mais prazeirosos. Então, é preciso reagir e chamar mais e mais pessoas para um grande debate nacional sobre o nosso futuro. É essa a causa que nos move e nos faz reconhecer, em primeiro lugar, que o propósito de levá-la adiante por meio do PV, na forma como ele hoje se estrutura, não foi possível. E, em segundo lugar, que não podemos relativizá-la para compor com uma cultura política que combatemos e que se mostra impermeável ao novo e ao sentido profundo da democracia. Manter a coerência e seguir em frente, é o sentido de nosso gesto, repito. Não se trata de uma saída pragmática, com olhos postos em calendários eleitorais. Ao contrário, é a negação do pragmatismo a qualquer preço. É uma reafirmação de compromissos e princípios. É uma caminhada verdadeira e esperançosa em direção ao nosso foco principal: sensibilizar as brasileiras e os brasileiros que se dispõem a sair do papel de meros espectadores a que vêm sendo condenados pelo atual sistema político para ser uma força transformadora. Força capaz de fazer sua vontade junto a um sistema político superado na sua essência, mas ainda no comando das instituições, tornando-as reféns de privilégios, de interesses setoriais, de alianças e posturas atrasadas, incompatíveis com os desafios que temos para este século. Hoje, as pessoas se mobilizam por causas muito diferenciadas, se manifestam pela internet, mas tem dificuldades de se integrar, de amalgamar suas diferentes preocupações num grande projeto de país, impulsionado pelo desejo de um salto civilizatório que só acontecerá se interrompermos a trajetória de degradação social e ambiental que é, infelizmente, uma das principais marcas de nossos tempos. Junto-me a todos que se identificam com esse pensamento, para fazer chegar o momento da integração. De inventar outra cultura política para nosso futuro. Vamos discutir democracia, educação, desenvolvimento, sem as amarras das ambições de poder como um fim em si mesmo, que diminuem e pervertem os sonhos e as intenções. Não se trata de negar as instituições de Estado e o sistema representativo. Sabemos de sua importância e de seu papel, mas não podemos fechar os olhos para seus desvios. Devemos exigir que saiam de suas velhas práticas e acordem para o presente. Para isso, a sociedade brasileira precisa recuperar a sua iniciativa no campo político, construir coletivamente sua vontade e fazê-la valer. Nosso debate, hoje, não pode ser o das eleições de 2014. As eleições de 2010 tiveram o papel de fazer a luta socioambiental abrir suas janelas e portas para a sociedade. Fizeram com que milhões de pessoas escolhessem uma proposta diferente. Agora é hora de ir mais fundo. A hora da verdade. Para nós e para a sociedade. Vamos nos reencantar com o nosso potencial para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que precisa ser preservado. Na campanha de 2010 dissemos que deveríamos “ir além dos limites impostos pela falta de grandeza dos interesses e costumes de alguns políticos que se acomodaram à lógica do poder pelo poder, que se tornaram incapazes de assumir plenamente os desafios do presente”. Essa também continua sendo a nossa palavra. Não era vento, não era circunstância, era de fato nossa proposta de Política e de Vida e por ela continuaremos a nos guiar, não importam quais sejam as dificuldades, as maledicências, as armadilhas, as ofertas para deixar por menos. Como alguém já disse, o ideal que move as pessoas para melhorar o mundo em que vivem, e onde no futuro outros irão viver, deve estar na popa e não na proa, a nos impulsionar para o futuro. Não é hora de ser pragmático, é hora de ser sonhático e de agir pelos nossos sonhos. *Discurso de Marina Silva durante o Encontro Por Uma Nova Política. Evento realizado nesta quinta-feira, dia 7 de julho, no Espaço Crisantempo (rua Fidalga, 521, Vila Madalena, São Paulo)

6 de julho de 2011

Entrevista: Alfredo Sirkis fala sobre o embate dentro do PV



Alfredo Sirkis, um dos coordenadores da campanha de Marina Silva em 2010 e um dos fundadores do PV em 1988, lançou recentemente o livro “O Efeito Marina”, onde relata os bastidores da candidatura presidencial. Ele demonstra como, já à época, os conflitos internos se mostravam entraves para a permanência do grupo da ex-presidenciável na legenda, que se tornava cada vez mais um “partido como os outros”. O livro antecipa indícios da crise partidária e ideológica que agora se concretiza com a saída de Marina Silva do Partido Verde.

Durante a corrida presidencial, a candidata foi um trunfo atraente e trouxe ventos que pareciam transformadores do cenário político nacional. Meses depois, quando propôs uma reforma interna dentro do partido que a acolheu, ela é considerada um estorvo e devorada pelas beiradas. A trajetória de Marina dentro do PV está prestes a ser encerrada. A ex-senadora que conquistou 19,6 milhões de votos nas eleições presidenciais de 2010 e estabeleceu de vez o ambientalismo na pauta política, agora se dá por vencida e vê-se obrigada a deixar a legenda que mais se aproxima de seus ideais.

A crise se intensificou nas últimas semanas, e Marina deve anunciar sua saída nos próximos dias. Sem o respaldo da maioria dos membros da Executiva Nacional para as mudanças políticas que deseja, ela se manterá fora de qualquer partido até 2013, quando pretende criar uma nova legenda destinada a dar sustentação à sua provável candidatura presidencial em 2014. Até lá, liderará um movimento que tem como conceito: “Verdes e Cidadania”. Outros partidos, como o PMDB, já lançaram olhos sobre o “troféu verde”, mas ela prefere concentrar-se na criação desse novo caminho, mais ligado às suas próprias ideologias.

Braço-direito de Marina na campanha eleitoral, o deputado federal pelo Rio de Janeiro foi o único, até o momento, a declarar que irá acompanhar a ex-candidata, ainda que, por ora, não se desfilie do PV. Alfredo Sirkis falou com exclusividade a
((o)) eco sobre a separação partidária e a criação do novo movimento, do qual, posteriormente, nascerá uma nova sigla.

((o)) eco – O que é o “efeito Marina” para você, para além da campanha presidencial de 2010?
Alfredo Sirkis – Iniciei minha vida política em 1967, no movimento estudantil, e comecei a fazer política institucional em 1988. A campanha da Marina para mim foi um fenômeno novo. O “efeito Marina”, então, seria a relação de profundo afeto que ela conseguiu criar com um contingente considerável da população – 20% do eleitorado –, um segmento bastante diversificado da sociedade brasileira, com o qual ela estabeleceu um vínculo de coração. O que é coisa muito rara na política brasileira, onde há uma enorme rejeição aos políticos em geral. Hoje, passados cerca de 9 meses das eleições, você anda na rua com a Marina e o clima de afeto é igual ao da campanha, as pessoas param, querem tirar foto, conversar, tocar. Então, o “efeito Marina” é exatamente isso: essa pessoa que conseguiu falar ao coração dos brasileiros.

((o)) eco – Dá a impressão, depois da crise que vem se agravando, que dentro do PV esse “efeito” foi contrário. Houve mais rejeição após o período eleitoral ou essa crise já vinha num crescente dentro do partido? Porque parece que, enquanto um trunfo presidencial, ela era interessante, e, depois, propondo uma reforma partidária, ela é considerada um estorvo dentro do partido. Como fica, então, o “efeito Marina” dentro do PV?
Sirkis – Na verdade, a luta entre o segmento “ideológico programático” e o segmento “fisiológico clientelista” dentro do Partido Verde é antiga. Ela se dá basicamente a partir do início da década de 2000, quando eu saí da presidência nacional do PV em 1999, numa convenção em que o José Luiz Penna (PV-SP) foi eleito pelo voto, e o centro de gravidade do partido se transferiu do Rio de Janeiro para São Paulo – e a política paulista tem uma série de características diferentes da do Rio. O PV, que na minha época e do Gabeira era um partido basicamente ideológico, passou cada vez mais a atrair políticos convencionais, que, no entanto, sempre coexistiram com militantes do movimento ambientalista. Essa tensão entre os “convencionais” e os militantes ou intelectuais, produtores culturais, sempre existiu dentro do PV quando ele começou a ter um crescimento quantitativo.

A vinda da Marina foi mais um episódio desse confronto. Para o segmento ideológico do PV, a sua chegada representou uma benção, era um grupo de pessoas que veio, de certa forma, a nos reforçar, a nós, que há algum tempo já éramos minoria dentro da Executiva Nacional. O ingresso dela sempre foi visto com resistência por esse segmento politicamente mais tradicional e atrasado, representado pelo Penna e pelo Zequinha Sarney (José Sarney Filho – PV-MA). No entanto, eleitoralmente era conveniente tê-la como candidata a presidente, por razões óbvias. Houve um resultado extraordinário nas eleições presidenciais, mas esse resultado não se refletiu nas mesmas proporções – nem perto disso –, nas eleições parlamentares. O que é muito compreensível, porque na verdade esse crescimento se refletiria nas próximas eleições, não naquela. De qualquer maneira, esse segmento começou a dizer que, afinal, o “fenômeno Marina” não havia beneficiado o partido.

Por outro lado, as ideias que ela colocava, de que deveríamos passar por um processo eleitoral interno, de eleger as comissões municipais, de acabar com as comissões provisórias, que são nomeadas pela executiva nacional; ou seja, todo esse processo que ela começou a ventilar para o PV causou um incômodo na burocracia dominante, às pessoas que controlam o aparelho do partido, à imagem e semelhança de todos os demais partidos.

No caso do PV, a maioria bastante folgada que o Penna tem na Executiva Nacional provém de acordos de natureza clientelista interna que ele faz com pessoas que passam a ser responsáveis pelo partido em determinados estados. Em alguns casos são políticos absolutamente convencionais que, além disso, têm alianças com segmentos que são completamente avessos ao ideário do partido. Exemplos disso ocorrem em Rondônia, onde havia um conluio com o Ivo Cassol (senador pelo PP-RO); no Amazonas, onde existe um conluio de longa data com o Amazonino Mendes (senador pelo PTB-AM), e no Mato Grosso, onde havia conluio com o Blairo Maggi (senador pelo PR-MT), além de Brasília, que tinha conluio com o José Roberto Arruda (ex-governador do DF pelo DEM).

((o)) eco – Mas que tipos de conflitos havia?
Sirkis – Não faziam a campanha da Marina, não queriam lançar candidato a governador que apoiasse a campanha da Marina, queriam, quando muito, ter um candidato a deputado estadual numa coligação, para poder descolar uns cargos pequenos. Eles podiam até usar a Marina como símbolo, mas não mergulharam no espírito da coisa. Trabalhavam em causa própria e não na causa mais ampla do partido. Priorizavam inclusive candidaturas outras, que não tinham nada a ver conosco. Por exemplo, no Amazonas a grande prioridade deles foi apoiar a candidatura do Arthur Virgílio (PSBD-AM) para o Senado Federal. Nesses estados conflituosos, a campanha foi feita basicamente por fora do partido, pelo Movimento Marina Silva. Ou seja, são conflitos que já precediam essa fase eleitoral.

Já na fase pós-eleitoral, em primeiro lugar, demorou cinco meses para haver uma reunião da Executiva Nacional. Quando ela aconteceu, eles já tinham uma proposta pronta apresentada pelo Sarney, que prorrogava por mais um ano o mandato do Penna, já há 11 anos no poder. Isso desencadeou as hostilidades internas e, desde então, nós viemos travando essa luta. Colocamos uma série de condições básicas para poder permanecer no Partido Verde, que são, entre outras: eleições para os conselhos municipais, corrigir a situação nesses estados problemáticos, limitar o mandato do presidente em dois anos, e fazer uma convenção até o final do ano. Mas, aparentemente, pelo menos até o momento em que concedo essa entrevista, nada disso foi aceito, e há uma campanha de hostilidade contra a Marina dentro do PV, como se essas pessoas de fato quisessem que ela saísse.

((o)) eco – Mas não seria só a Marina a sair, ela leva consigo um grupo de peso dentro do partido, não? Por exemplo você, o Gabeira, que fundaram o PV.
Sirkis – Eles não gostariam que o Gabeira e eu saíssemos, porque a burocracia sozinha não se sustenta, precisa ter – digamos – os emblemas. Mas nós estamos fartos de sermos usados apenas como imagem. Essas tensões que explodem no momento sempre existiram, mas nesse momento chegaram ao ponto de ebulição.

((o)) eco – Você e o Gabeira foram fundadores do PV, você escreveu o manifesto do partido, e como que se chega ao ponto de, agora, se verem encurralados e dominados por esses “burocratas”, menos ideológicos e mais “políticos convencionais”, como você os chama?
Sirkis – O problema principal foi quando o eixo organizacional se deslocou para São Paulo, e começou a haver um fortalecimento dos dirigentes paulistas, que tinham uma visão muito mais pragmática do processo. Eles foram controlando o crescimento do partido na maioria dos estados, sempre fazendo alianças. A questão é que é muito difícil escapar da cultura política brasileira como ela é. A cultura dominante é a do fisiologismo e do clientelismo. Seria um milagre que o Partido Verde permanecesse completamente incólume, mas admito que temos nosso quinhão de responsabilidade nesse processo, para chegarmos ao ponto de sermos minoria dentro do partido que nós mesmos fundamos. O fato é que hoje representamos aproximadamente 40% dentro da Executiva Nacional.

((o)) eco – E vai acontecer, de fato, essa dissidência, essa separação? É possível a criação de um novo partido?
Sirkis – Nesse momento estamos trabalhando com a ideia de criar um movimento, cujo conceito é “o movimento dos verdes e cidadania”. É um conceito, não um nome. O nome ainda não existe. A ideia é que seja um movimento político, que será formado com base em pessoas que vão sair do PV, outras que permanecerão, outras sem partido, e outras mais de partidos diversos, que desejarão ingressar. O movimento busca uma capilaridade nacional intensa, se organizando nas ruas, com uso intensivo da internet e dos mecanismos de redes sociais. O movimento tem a Marina e os dirigentes como pólos de atratividade, mas tem objetivo de delegar o poder de se espalhar, de se auto-organizar, de criar mecanismos de deliberação e escolha através da internet e das ruas.

Como já defendíamos dentro do PV, é uma passagem de bastão para uma nova geração. Essa geração que chamam de “Y”, e que tem uma enorme consciência ambiental. Esse novo movimento quer resgatar essa energia, encontrar as formas da nova democracia, que seja pela consulta intensa nas redes. Em relação às tomadas de decisão, você pode ter 20 mil decidindo ao invés de apenas 20. Vamos investir nisso para que, depois das eleições de 2012, esse movimento possa se tornar um novo partido.

((o)) eco – Você ainda tem esperança de que ocorra uma mudança estrutural dentro do PV?
Sirkis – Em política tudo é possível. Não me parece que vá acontecer nada disso, eu diria que é mais provável que o PV se funda com outro partido, pode até ser com o PSD, pois o Penna é muito ligado ao Gilberto Kassab (DEM/PSD-SP). O problema será o que fazer com a Kátia Abreu nesse contexto (risos). De qualquer maneira, um partido não é nunca um objetivo em si. E é justamente isso que diferencia um militante do burocrata: o militante vê o partido como instrumento para uma causa, enquanto que o burocrata o vê como o objetivo em si. Hoje, essas pessoas que se colocam contra a Marina têm o “fetiche do partido”.

((o)) eco – Caso haja a cisão, então, você e o Gabeira vão junto?
Sirkis – No meu caso, a Marina saindo eu irei me afastar do PV. A forma como farei isso ainda tenho que analisar à luz da resolução do TSE que pune a “infidelidade eleitoral”, porque uma pessoa que sai de um partido está arriscada a perder o mandato por um processo movido não só pelo partido como também por um suplente.

((o)) eco – Para sair de um partido, então, qual é o procedimento legal?
Sirkis – Você deve ser fundador de um novo partido; ou sair e, quando contestado judicialmente, afirmar que foi perseguido ou que o partido traiu seus ideais programáticos.

((o)) eco – Mas não foi isso que aconteceu, de fato?
Sirkis – Sim, mas eu não quero me expor a um processo no TSE e ter a distração de acompanhar uma briga judicial. Estou vendo um mecanismo em que eu possa me afastar sem ter que enfrentar uma ação.

((o)) eco – Haveria algum outro partido ao qual você possivelmente se filiaria?
Sirkis – Não. O Partido Verde ainda é o “menos pior” dos partidos brasileiros. Com todos os problemas internos, foi o único, junto com o Psol, que todos os 12 presentes votaram contra o relatório de Aldo Rebelo e contra a Emenda 164 do Código Florestal. Mas nós não podemos nos contentar com o “menos pior”, e essa foi a mensagem que a Marina sinalizou.

((o)) eco – Nesse momento, então, você acha que o lançamento do livro “O efeito Marina” foi oportuno? Você mostra que o ideal do PV iniciado por vocês é outro, expõe a questão do carisma, do voto pelo coração, pela ideologia, que é o oposto do que se vê nessa disputa interna, não?
Sirkis – No livro fica clara a tensão que já existia no interior do Partido Verde. Ali está uma eventual antecipação do que vem a ocorrer agora. No texto eu me referia ao “efeito Marina” daquele momento das eleições, em que ela criou esse vínculo de carinho com o eleitorado, mas hoje de fato há um outro tipo de “efeito Marina”. Apesar de o livro não cobrir a crise pós-eleitoral especificamente, creio que é uma leitura útil não só para conhecer como foi a jornada até se chegar à situação atual, mas também como uma reflexão a respeito da vida política.

((o)) eco – Saiu na mídia que a Marina anunciaria sua saída oficialmente já nesta semana. Essa informação procede?
Sirkis – Ela ainda não tomou uma decisão oficial, pois depende muito do outro lado. Pode ser que eles caiam em si, que percebam o erro crasso que estão cometendo.

((o)) eco – Mas existe um ultimato, um prazo?
Sirkis – Isso já venceu faz tempo. As condições foram aquelas que eu expus no último post do meu blog, e eles já estão na prorrogação, “depois dos 45 minutos do segundo tempo”. Ficaram de dar uma resposta e até hoje não deram.

((o)) eco – Isso pode ter um grande efeito negativo para o PV tanto nas eleições de 2012 quanto nas de 2014, não?
Sirkis – Essa separação não é boa para ninguém. Apesar de para nós ser um momento de libertação, de dedicação ao movimento e até de nos despreocuparmos com aspectos desgastantes e desagradáveis de luta interna, de certa forma todos saem perdendo.

Fonte: O Eco


5 de julho de 2011

Que tal compartilhar um carro?


Automóvel da Zipcar, que detém quase metade do mercado mundial de carsharing

Graças ao serviço de carsharing, já é possível alugar um veículo pagando por hora em muitas cidades do mundo, inclusive em São Paulo. Ao permitir que várias pessoas compartilhem um mesmo automóvel, esse sistema diminui o número de veículos nas ruas oferecendo aos seus clientes o conforto de um carro particular sem a desvantagem de ter que desembolsar com a sua manutenção.

Lá fora, esse ramo movimenta US$ 12,5 bilhões por ano e mantém médias de crescimento em torno de 30%, muito acima das de locadoras tradicionais, que evoluem a uma taxa média de 10%. A praticidade do serviço é o segredo do negócio. O motorista faz um cadastro pela internet, paga pelo plano escolhido e recebe em casa um cartão de chip com senha e login para que possa entrar no site e agendar o uso do automóvel conforme a sua necessidade. Depois, basta ir a um estacionamento credenciado no horário marcado, passar o seu cartão no carro para destravá-lo e pegar as chaves no porta-luvas.

Um dos alvos desse tipo de companhia são motoristas que rodam pouco, mas precisam de um veículo esporadicamente. Nesses casos, os gastos com seguro e manutenção acabam fazendo o dono do carro perder dinheiro, e recorrer a uma empresa de compartilhamento pode ser uma boa opção.

A americana Zipcar, que detém quase metade do mercado mundial, cobra US$8 por hora de uso e a locação varia de US$77 a US$115 por dia. Inspirado pelo modelo americano, o empresário carioca Felipe Barroso, 31 anos, dono de uma companhia de terceirização de carros, resolveu inaugurar o serviço aqui no Brasil. Em julho de 2009 lançou a Zazcar , primeira empresa de carsharing da América Latina.

Por aqui, o sistema funciona de forma semelhante ao dos outros países. A taxa de adesão é de R$55 e os planos da empresa começam em R$22 a hora, preço que já inclui gastos com gasolina, seguro e manutenção. O cliente pode escolher entre 7 modelos ­– Smart, Siena, Punto, Gol, Fox, Picanto ou Civic – e buscá-lo em um dos 11 pontos credenciados de São Paulo. Ainda não se sabe quando o serviço deve chegar a outras localidades.

Os prós e contras do carsharing:

Combustível: você retira o carro com pelo menos um quarto do tanque e pode abastecer em postos conveniados. Se pagar pelo serviço fora dessa rede, a empresa reembolsa o valor.

Distância: a tarifa inclui até 100 km. Não é pouco para uso urbano, mas insuficiente para ir a Santos e voltar, por exemplo. Lá fora, o limite varia de 200 a 290 quilômetros.

Planejamento: é preciso reservar a hora de retirada e a de devolução. Imprevistos fazem a conta ficar salgada.

Manutenção: você não precisa fazer revisões nem consertos. Mas tem de confiar na empresa e em quem usou o veículo.

Fonte: O Eco


1 de julho de 2011

Mobilização tenta acordar o GDF para o Parque do Guará

Caminhada no dia 05 de julho pretende deixar claro que o assunto não foi esquecido


Incomodados com a apatia do Governo do Distrito Federal em relação ao Parque do Guará, a sociedade começa a se remobilizar para cobrar das autoridades a implantação de uma das mais polêmicas áreasda cidade. Nos últimos anos, provocados por decisões equivocadas da Câmara Legislativa, o tema Parque do Guará foi reaceso na comunidade guaraense. Na ocasião, em uma jogada de oportunismo, os deputados distritais alteraram o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) do DF para doar aos chacareiros que ocupam a área de preservação lotes de até vinte hectares. Na prática, os deputados tentaram privatizar um área de proteção, transformando em área rural e posteriormente permitindo outras ocupações. Se as emendas não tivessem sido consideradas inconstitucionais e a sociedade não tivesse exercido pressão suficiente nos parlamentares e no GDF, a médio prazo o Parque do Guará corria o risco de ser mais um bairro residencial. Foram passeatas, reuniões, encontros culturais e visitas aos órgãos públicos e aos tribunais para acompanhar as medidas liminares que impediam a retirada dos chacareiros da área invadida. O PDOT foi considerado inconstitucional, todas as liminares foram derrubadas e o governador eleito, em campanha, fez questão de reafirmar que o Parque do Guará e a reserva ecológica seriam prioridades em seu governo.


Seis meses passados, nem o administrador do parque foi nomeado. Abandonado e sem perspectiva de investimentos, a população volta a se movimentar para acordar o GDF para o problema. Uma iniciativa de defensores do parque promete reunir a comunidade em torno da causa. na manhã do dia 05 de julho – terça-feira - para mais uma Caminhada Ecológica em Defesa do Parque do Guará. A marcha começará no estacionamento da Escola Adventista, entre as QEs 15 e 17 até a sede do parque. Uma parceria com a Diretoria Regional de Ensino e os diretores de várias escolas do Guará vai garantir a presença e consequente conscientização de centenas de alunos, além da presença daqueles que lutam pelo direito à área de preservação e convívio do Guará.


CAMINHADA ECOLÓGICA

5 de julho de 2011 – 08h30

Concentração em frente ao

Colégio Adventista (EQ 15/17)